Sounds of Quartzo

A arte sempre esteve muito presente na minha vida, a música veio do meu pai, as artes plásticas, da minha mãe. Essa presença só saiu da teoria no caso da primeira – música, artes plásticas é tipo culinária pra mim, o máximo que sei é apreciar.

Só que além da arte, uma característica familiar comum que se transformou em gosto é o amor por gente, suas histórias e culturas. Eu, em geral, vou preferir um bom papo do que uma vista linda, do que ir em lugares famosos, comer algo incrível, ou mesmo ouvir uma boa música. Aí que entra um negócio que pra mim junta as duas coisas, os festivais.

Posso listar vários festivais que me marcaram fortemente. Ver a Nação Zumbi com meus amigos no Se Rasgum, ouvir “romanticamente” o primeiro álbum do Silva (só no teclado) sentado numa escada no Abril pró-rock, dançar junto com o “bonecão” no palco Super Cool do TribalTech, explorar uma outra versão do TribalTech sob chuva e duas (até então) desconhecidas num dia frio de Curitiba, até finalmente ver os Strokes no Planeta Terra. Só que dois festivais não só me marcaram como fizeram parte de mudanças profundas da minha vida, o Meca Inhotim e o Sounds of Quartzo.

Meca Inhotim 2017 – Esperando a palestra do @souofil – I hate flash

O Meca foi tão marcante que me fez colocar a ida pra festivais como uma prioridade de vida. A música naquele lugar foi incrível – que show do Jorge Ben Jor! Inhotim é surreal! Que sensacional foi ver a botânica feita pelo pai do meu amigo Iuri! Só que o que mais me marcou foram duas atividades, e uma delas eu fui por acaso pois perdi a hora da atividade originalmente planejada. A palestra do Felipe Anghinoni me marcou demais, até hoje utilizo algumas das recomendações dele, como por exemplo: “Quer, quer. Não quer, não quer”. A outra atividade, finalmente me fez entender o sentido de ressignificar um hábito que me prejudicava. Ela abriu a porta a uma série de mudanças na minha vida.

Só que hoje vou falar do festival Sounds of Quartzo e o quanto ele é incrível pra mim.

Algumas das obras que você vai encontrar por lá!

O lugar – A Chapada dos Veadeiros

O nascer e o pôr do sol na Chapada são mágicos. Foto by @fercoutinho

Acho que as Chapadas que temos no Brasil são alguns dos lugares que mais subestimamos. Além de toda beleza, que não é pequena, vide a quantidade de lugares pra ir. Acredito que elas têm um traço incrível de paz.

Claramente, na Chapada dos Veadeiros, as pessoas desaceleram, passam a contemplar mais, trocam mais ideias profundas, se questionam quanto a outras coisas presentes no nosso universo (de diversas formas), sentem sabores peculiares nas suas refeições e, todos os dias, conseguem perceber a beleza do nascer e do pôr do sol. Saem muito do seu dia a dia automático.

Todas essas coisas influenciam como as pessoas agem lá. Não me leve a mal, eu acredito que temos gente legal e interessante em quase todos os lugares do mundo, mas definitivamente há lugares que trazem a beleza das pessoas pra superfície. Um deles é essa Chapada.

Parafraseando Lenine:

“Já foi na Chapada, nego? Não? Então vá, então vá.”

O festival – Sounds of Quartzo

“Uma obra, depois de publicada, ganha vida própria além do autor”

Chegada no festival – 2024 – foto by Rodrigo Krieger

Essa foi a segunda vez que eu fui no Sound of Quartzo (SoQ) e eu posso afirmar que o festival é incrível. Há um cuidado na organização, na integração com a região, no cuidado com as pessoas que estão trabalhando, etc.

São 3 os pilares do festival: Vivências, Experiências e Celebrações. Dentro deles, por exemplo, você tem meditação, ice bath, paraquedismo, balonismo e, claro, as festinhas. Como já expliquei acima, a parte que tem gente me interessa mais. Aí que dois aspectos se tornam mais marcantes pra mim como pontos fortes, a caracterização das pessoas e a curadoria musical.

Time do Quartzo 2.0 – Alguns têm o estilo, outros pegaram emprestado e fizeram bonito.

Há um “dress code” recomendado no festival e, além de legal, acredito que este ponto tem um efeito determinante na forma com que as pessoas se portam durante as festas. Essa “skin”, só pra desbloquear, dá trabalho (pelo menos pra mim) o que faz a diversão começar bem antes. Durante cada dia a preparação requer uma dose de criatividade, vide nosso amigo que transformou uma roupa de cama em cachecol e ficou no estilo demais! E o efeito na festa é que na minha visão as pessoas parecem mais abertas, mais fora do automático, menos fechadas nos seus grupinhos, no fim, mais legais.

Foi real esse after? – Foto by @fercoutinho

Quando o aspecto é a curadoria musical, a proporção de sets inesquecíveis que eu presenciei no SoQ não é algo que eu conseguiria imaginar antes de ir (nas duas versões). Normalmente eu gosto de ficar andando e às vezes sair e ficar trocando ideia em vários ambientes do festival, mas realmente pelo menos em 3 dos 6 dias (nos 2 anos que fui) eu não consegui me afastar do palco. Pra alguém que gosta de dançar, é uma maravilha!

Tudo isso que eu expliquei acima faz com que pessoas incríveis se juntem num mesmo espaço-tempo pra compartilhar alguns momentos legais. Tudo isso potencializado por um lugar lindo, e um festival diferenciado. Como resultado, eu conheci muita gente nessas duas versões do evento. Tenho dúvidas se em algum momento anterior eu trouxe esse volume de gente de alguma forma pra minha vida. Já na segunda versão, o bônus foi reencontrar e compartilhar bons momentos com amigos de gosto comum.

Eu realmente não sei se a forma que eu aproveito o festival seria a que os organizadores originalmente pensaram, até porque eu abusei do vinho algumas vezes (boca roxa nas fotos), só que posso dizer que fui muito feliz com as minhas decisões lá.

Vinho tinto no último dia é tradição e não me venham com esse papo que não combina e que a boca fica roxa!

As pessoas

A gente fez amigos!

Quando lá em cima eu falei que eu mudei no SoQ, eu tava falando sobre esse ponto de conhecer mais gente. Alguma coisa aconteceu durante a época do primeiro festival que me mudou definitivamente. Eu realmente passei a aproveitar mais os momentos bons pra conhecer e conversar com mais gente. Isso fez uma diferença grande em tudo que aconteceu depois de junho do ano passado (2023) e tem feito parte das recentes decisões que venho tomando na minha vida. Pra mim, é incrível e eu só tenho a agradecer.

Eu não sei quanto vale trazer uma pessoa pra sua vida. Também não sei quanto vale curtir ótimos momentos com pessoas incríveis e queridas. Eu só sei que se a vida é um conjunto de momentos, e que a gente vai tentando somar alguns desses mais incríveis. Nos dois momentos eu consegui fazer isso de forma intensa e garantir mais alguns bons momentos pro futuro.


PS.1: Artigo AI-free.

PS.2: Esse artigo não tem o objetivo de analisar os pontos fortes e pontos fracos do festival. Ele retrata apenas uma perspectiva pessoal do efeito do festival e não aspectos técnicos de produção, organização ou curadoria musical.

PS.3: Não posso deixar de lembrar dos nossos amigos que só conhecemos por apelido – André Marques, Wolverine, Jorge (da dupla – Jorge e Matheus), Carl Cox, entre outros! Se lerem isso, mandem seus instas aí!

PS4.: o céu estrelado é outra coisa incrível, mas que por motivo de “só sabe quem foi” as fotos não conseguem retratar bem esse aspecto.


Alguns vídeos abaixo

Dançar e Filmar e difícil – Final do ano de 2023
Impressiona 🙂
After 2023 – Bhaskar, gratidão!
Ou o pôr do sol é realmente deslumbrante ou estamos precisando sair mais de SP? Você decide.

Últimas fotchenhas (Tudo meus amigos, não pode roubar não!)

Blade e seu fiel escudeiro
A conexão Pará <> Paraná
Quem tirou essa foto? pelo amor de Jah me mande uma msg pra entender o que aconteceu 🙂

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