A vida é boa — suas lembranças não te deixam mentir

Impressiona o que pequenas lembranças, dias comuns, hábitos podem ser tão legais e inesquecíveis.

Toda vez que eu entro num processo de mudança profundo, como uma mudança de cidade, algumas lembranças aparecem pra ficar me dizendo que algumas coisas que fiz foram muito legais. Algumas vezes eu só percebi que elas eram muito especiais depois que eu já não as acessava facilmente.

Resolvi escrever sobre elas para ver se assim o medo de esquecê-las suma, e alas venhas apenas quando eu as desejar.As memórias que mais têm aparecido não são aqueles dias únicos inesquecíveis, mas lembranças de rotinas e hábitos. Te conto quais são elas agora.

Os cafés da manhã na Delicidade

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O tempo que eu morei na Brás em Belém foram muito especiais por tudo que se passou naquele momento pra mim. Lembro de muitas coisas legais, como andar naquela rua coberta de mangueiras, sem pressa, sem pressão. Em especial, os domingos que eu ia pra Delicidade são inesquecíveis. Aquele café da manhã, um espresso, o sanduíche de queijo. Todo o gosto tá vivíssimo na minha mente.

Ia ler, ficar vendo as pessoas passando, conversando, ia pensar na vida, etc. Essa é a minha esquina em Belém.

Os domingos onde o tacacá era minha salvação

Ainda em Belém, mas na minha época mais "xovem", o tacacá da esquina de casa (Humaitá ) era minha salvação depois de um noite boemia com meus amigos. A cerveja já me fazia mal naquela época, eu só não sabia disso. A solução era esperar até às 16h e me deleitar com a melhor comida do mundo!

Os primeiros cafés de São Paulo

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Dentro e fora um lugar legal. Foto Dai Muller (via maps).

Sempre fui fã de café, mas em São Paulo isso virou uma paixão. Acho que uma das primeiras coisas que eu gostei de Sampa foi sair num dia frio, ou garoando, pra ir num café legal. Isso significava um lugar onde tu podias sentar, pedir um cappuccino, e ficar o tempo que quiser sem nenhum atendente ficar te perguntando se queres mais alguma coisa. Aí que entra a Starbucks do Paraíso , que era um dos cafés mais aconchegantes que eu já tinha ido. Ficava lá até fechar…

Almoço na Merça

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Livros, comida simples, atendimento indiferente = sucesso. Foto spcity.

Nos fins de semana, meus almoços são lá pelas 15, 16h. Em Belém, sem problemas, em São Paulo nem tanto, as opções ficam muito limitadas pra quem não tem carro. Aí que a Mercearia São Pedro entra.

Quando eu me mudei pro Sumarezinho a minha visão de SP mudou completamente. Comecei a gostar da cidade. Lembro no dia que fui explorar a região procurando por um apê, eu almocei no Mercearia, fiquei por ali nos próximos 4 anos da minha vida.

Sabe aquele ambiente informal, onde todo mundo parecia escritor, jornalista, artista, etc… pois é. Me sentia muito bem lá, sempre podendo estar perto de gente que parecia ser extraordinária, cheio de talento, cujo o tipo é quase inacessível pra mim. Além disso, o almoço é bem justo e sem gourmetização, algo não tão comum na área. O atendimento é baseado na indiferença.

Lembro de vários dias que aquela comida me salvou, e que tava deliciosa! Seloko!

Café das Vila Madalena

Eles tem um lugar especial no meu coração. Dá pra listar: Ekoa, Le pain quotidien, Cupping, Tastemade, Santo Grão, etc. Dá uma olhada aqui . Porém, eu vou falar apenas dos que me marcaram, não necessariamente só pelo café, mas pelo que eles significaram.

O Aeropress e o Coffee Lab

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Eles preparam o café na tua mesa— foto by Emerson D.(foursquare)

O Coffee Lab tem muito cara de laboratório. Foi um dos dois lugares em SP que me fizeram ter um mind blown quando provei um café espresso. Mas o que me fez amar o lugar foi o aeropress e o ambiente.

A primeira coisa é que lá parece realmente um café moderno, onde todos conhecem muito bem o que estão fazendo. Segundo, é um lugar pequeno, que tem mesas compartilhadas, gente trabalhando, conversando, ou provando um bom café brasileiro.

Esse ambiente todo inspira. Foram várias tardes de ótimo trabalho e café.

Paris na Vila Mada

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Rolava uma paz depois das 20h por aí — foto by Zvonko G. (foursquare)

Uma das memórias mais fortes de Paris que tenho foi quando tomei um espresso (mais um) na frente do Palais Garnier . O café tava sensacional, o lugar é lindo, combinou perfeito com o começo da noite (tava frio e eu já estava cansado de andar), e foi o café mais caro que eu paguei até aquele momento da minha vida.

O que acontece é que aquele momento parecia parte de um filme que se passava em Paris. E é assim que eu ainda tenho a França na minha cabeça, meio que um filme. Na rua da minha antiga casa tinha a Deliparis , lá rolava tudo de comidinhas estereotipadas da França e um bom café. Também tinha uma boa internet e ficava tocando músicas francesas. Isso tudo resultava num ótimo lugar pra sentar lá pelas 20h, pensar na vida, e escrever qualquer coisa que nunca seria publicada.

Só um café da manhã

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Lembro muito desse café aí — foto by Dani A. (foursquare)

Eu sou bem lento pela manhã, hoje bem menos que no passado porque descobri o que me fazia acordar sempre cansado. Mas ainda sim, virou um hábito fazer as coisas lentamente.

Não faz muito tempo que eu aprendi a gostar de café da manhã, isso começou quando eu virei sócio de uma startup, era a primeira vez na minha vida profissional que eu não tinha um horário fixo de entrada. Desta forma, eu tinha a chance de comer lentamente lendo um livro, artigos, ou pensando na vida (minha preferida atividade inconsciente).

Em São Paulo, pelo menos um dia por fim de semana eu ia pra Padaria Rodésia (ou padaria do baixinho) tomar um café, normalmente lá pelas 11:30h ou um pouco mais tarde. Aquele sol, o vento que sempre batia lá, a rua tranquila, gente andando, etc. Tudo era simples e sensacional. Eu me dopei de café algumas vezes por lá.Só tenho a agradecer ter vivido tantos momentos legais nesses lugares, transformado dias normais em experiências inesquecíveis.

Tá bom por hoje. Deixa eu ir ali ver se acho mais um lugar novo pra poder escrever um outro post desses em alguns anos.

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  • Foto que pega um pouco da delicidade e Brás. Autor RicFelix .